13 de julho de 2016

Resenha » Alice, de Lewis Carroll


Há um coelho de olhos vermelhos correndo por aí apressado segurando um relógio, uma rainha ordenando que todos tenham a cabeça cortada, um gato que sorri e flores que conversam entre si e adoram quando encontram alguém novo para prosear com elas. Não, você não está ficando louco! Você apenas acaba de cair de paraquedas no lugar mais absurdo de todos os tempos! É preciso ter coragem para embarcar nessa aventura, que vai além das fronteiras da imaginação ou de qualquer outra história que você já leu. Está preparado? Então CORTEM-LHE AS CABEÇ... ops! Digo, bem-vindo ao País das Maravilhas! ♥



Now playing: Alice's Theme // CLICK ME!

gif, alice, alice in wonderland gifEm um belo dia, a menina Alice sai para passear com sua irmã e acaba adormecendo debaixo de uma árvore. Algo que poderia acontecer com qualquer um, não é mesmo? Bem, mas para Alice, esse passeio foi muito além do que ela poderia imaginar. Após cair no sono, nossa protagonista é transportada para um mundo paralelo desprovido de qualquer lógica e fronteira entre o real e o imaginário, numa aventura que até hoje não sabemos se foi sonho ou realidade! Nessa jornada, Alice conheceu animais, plantas e flores com características humanas, teve contato com poções mágicas e alimentos encantados que modificavam suas características, viajou através do tempo e descobriu lugares que ninguém jamais ousou descobrir. Enquanto buscava o caminho de volta para casa, teve oportunidade de viver situações completamente inesperadas, que eram capazes de confundir até mesmo o leitor mais atento.

A história, escrita por Lewis Carroll em 1865, é um clássico da literatura nonsense que pode finalmente ser revivido à altura nessa singela reedição, preparada para divertir desde crianças até a mais velha das almas.





❝ O acabamento da obra

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O livro foi publicado pela editora Zahar e possui duas edições especiais, ambas de luxo; A que eu possuo e li é a Edição de Bolso Luxo, que é uma edição de capa dura e tamanho de bolso, mas que mesmo sendo menorzinha, ainda preserva o texto integral. O livro possui 317 páginas e possui as medidas 12x17, saindo pelo preço de R$ 29,90. Existe também uma outra versão expandida e mais elaborada, fazendo a homenagem à Lewis ser ainda mais bem produzida. Essa versão em questão é a Comentada e Ilustrada, e possui seu conteúdo expandido, trazendo inúmeras citações, comentários e conteúdos inéditos, como esboços recém-descobertos da obra e uma introdução prévia ao mundo de Alice. Por sua vez, essa edição já mede 16x23, possui 416 páginas - 99 a mais do que a edição de bolso – saindo por R$ 74,90. Ambas das edições são recheadas de riquíssimas ilustrações de John Tenniel e possuem as duas histórias originais escritas por Carroll unidas num único livro: Aventuras de Alice no País das Maravilhas, seguida pela sua primorosa continução, Através do Espelho.
As edições são simplesmente fantásticas e colecionáveis, e eu sou completamente apaixonada pelo trabalho realizado pela editora.


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❝ Por que você deve ler
Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria!
- Alice

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Alice é uma obra inesquecível, tanto pela criatividade quanto pela impressão que deixa no leitor. Primeiramente, você deve ler por se tratar de um clássico de 151 anos que sobreviveu até os dias atuais, portanto este já é um bom motivo para você apostar na leitura, nem que seja só para saber do que se trata e poder opinar sobre. Por mais que não pareça, é um livro carregado de muito humor, mas um humor sutil, suve, que você talvez só perceba se estiver fazendo uma leitura bem atenta e concentrada. Alice, apesar de ser jovem, possui uma audácia muito particular em sua fala e utiliza-se quase sempre de uma linguagem beirando a satírica, que faz com que ela pareça muito mais velha e experiente do que realmente é – além de reduzir a ingenuidade que a mesma parece ter. É como se várias Alices conversassem durante todo o tempo, para ao final, encontrarem-se em apenas uma.


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O livro também é muito interessante pois te instiga a desvendar as aventuras da pequena Alice, que mudam completamente com o passar das páginas e são quase sempre, inexplicáveis. Eu diria que é um livro indispensável para os aspirantes à escritores – principalmente escritores de fantasia – pois a criatividade de Carroll é simplesmente inquestionável e deveras inspiradora. Muitas vezes você até mesmo se pergunta como foi possível um homem ter escrito tudo aquilo de maneira sóbria, sem estar sob o efeito de algum alucinógeno (bem, quem sabe né? rs). Brincadeiras à parte, a verdade é que Alice pode ser a representação de um verdadeiro mergulho nas profundezas dos sonhos e da psicologia humana, uma vez que suas histórias estão intimamente relacionadas com os mais característicos devaneios e fatores ilógicos que povoam a mente do ser humano. Essa dualidade presente na obra de Carroll – ora infantil, ora madura – é também outro ponto forte do livro, que agrada desde crianças pela sua ingenuidade, quanto adultos pela sua genialidade; A característica em questão pode ser vista em determinados trechos do livro, onde para uma criança o texto falado se remete exclusivamente ao contexto da história, sendo que para um adulto mais atento, a frase pode ter ainda outras conotações mais voltadas para questões profundas relacionadas às emoções e psique humana.

Além disso, após a leitura, você começa a se perguntar: o que Alice viveu foi um sonho? Uma epifania? Ou um mergulho nas profundezas de seu próprio inconsciente? Será que cada elemento e personagem do livro tem um significado oculto em especial? Ou ainda, será que ao invés de Alice ter caído na toca do coelho, ela não caiu numa jornada dentro de si mesma? Bem... Me diga você! ;)




❝ Preste atenção!
Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas... acho que já mudei muitas vezes desde então.


Para tirar total proveito da obra, você precisa estar disposto e atento. Da primeira vez que li, fechei o livro e pensei comigo mesma que meu cérebro tinha dado um bug, de tanta coisa nonsense que eu tinha lido. A questão é que o livro tem um “quê” de surrealismo que precisa de fato ser digerido, e isso não acontece instantaneamente. Se você julgar o livro pela primeira leitura, talvez irá compará-lo com um conto escrito por uma criança de 10 anos (uma criança muito inteligente, diga-se de passagem), mas após analisá-lo atentamente, perceberá que se trata de algo muito mais profundo.

Pode apostar, sempre que você se deparar com algo que não faça o menor sentido, pense novamentee dê uma segunda chance. Geralmente coisas sem sentido escondem mais lógica do que podemos imaginar e perceber à primeira vista.




❝ Curiosidade

Falamos sobre uma Alice, mas será que você sabe QUEM é a verdadeira Alice?


Seu nome é Alice Liddell e ela tinha apenas 3 anos de idade quando conheceu Lewis. A história que se conhece é que Lewis Carroll (que na verdade é um pseudômino, sendo Charles Dodgson seu nome verdadeiro) conheceu primeiramente o pai de Alice, que era diretor de um colégio local onde era bibliotecário. Ao conhecê-la, Lewis se encantou pela menina e ambos se tornaram amigos. Dessa forma, Alice passou a ser forte inspiração para ele na escrita de seus livros. Contava inúmeras histórias para ela e suas irmãs, até que um dia contou-lhe a última história que sua mente havia criado: a história da menina Alice, que se perdia num mundo de fantasias. Após pedidos da própria Alice verdadeira, Lewis colocou suas ideias no papel e assim nasceu “Alice’s Adventures Underground” – o primeiro manuscrito do que se transformaria no livro Alice no País das Maravilhas.
Alice Liddell faleceu em 1934, aos 82 anos.

A propósito, o autor sempre estava relacionando-se com crianças, gostava de tê-las por perto e quando era questionado a respeito dessa relação ou era acusado de pedofilia, sentia-se ofendido e negava qualquer tipo de envolvimento com elas, dizendo que apenas "apreciava a companhia". Ainda assim, persistem relatos de que Lewis gostava de ter amizade com crianças preferencialmente do sexo feminino, e por ser amante da fotografia, também costumava fotografá-las – às vezes nuas. Também há especulações a respeito de cartas enviadas à Alice por parte de Lewis, em que o mesmo se despedia dela com "dez mil beijos" e outros cumprimentos calorosos. Todas essas cartas foram queimadas pela mãe de Alice.




❝ Meu toque pessoal
"Mas não quero me meter com gente louca”, Alice observou.
"Oh! É inevitável", disse o Gato. - "somos todos loucos aqui"

Alice é versátil, cativante e irônico – tudo ao mesmo tempo. Mas quem disse que um livro tão maluco deveria ter ordem definida em alguma coisa? A verdade é que essa loucura exacerbada da obra é que faz ela ser tão única. Você lê e não esquece, por mais que não tenha a entendido de primeira. Algo permanece em você, e não só pela obra estar em alta atualmente com o lançamento de filmes e tudo mais, mas sim, porque você cria um laço com a história, seja pela identificação com ela ou pela vontade de vivê-la também.
Muito mais do que uma história para crianças, Alice é uma viagem única e extraordinária que tem o poder de tirar o leitor da realidade e transportá-lo para os lugares mais incríveis que ele poderia visitar. Uma jornada de uma garota pela vastidão de universos paralelos e desconhecidos que a podem levar para muitos caminhos – mas só um deles é o que ela deve seguir: o caminho que tem como destino o seu autodescobrimento.




❝ Considerações finais

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Uma obra bem criativa, com ilustrações belíssimas e que inspira até hoje milhares de artistas e escritores. Certamente um registro insubstituível e marco da literatura mundial, que viverá para sempre!


5 comentários:

  1. Olá... muito boa a resenha, bem completa! Já li essa edição, é muito linda!
    Beijos, Jana!

    Blog Eu Li nas EntreLinhas

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  2. Oi Débora,

    Alice é realmente um livro encantador, um tanto difícil de entender por causa de todas as coisas por trás do livro, mas nem por isso menos bom. A edição da Zahar é primorosa, traz tanta informação relevante que nos deixa mais curiosa.

    Quero saber mais sobre o autor agora, ler uma biografia dele e encaixar alguns pontos com o livro.

    Bjs, @dnisin
    www.sejacult.com.br

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  3. Oi Débora!
    Adorei a resenha! ainda não li Alice por conta de preguiça mesmo hahaha mas vou ler em breve, prometo. Espero gostar também <3
    Abraço!
    http://leituraforadeserie.blogspot.com/

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  4. Olá Débora, amei a resenha. Como não amar esse clássico e essa edição de luxo da Zahar (querooo). Eu só li o primeiro livro (um clássico), pretendo reler e ler a continuação que por sinal já tem filme lançado no cinema (se não me engano).

    Beijos!
    Luan - Carpe Diem Literário.

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  5. Oi Débora! Que luxo essa edição hein...
    Adorei tua resenha, seu toque pessoal então... Amei!
    As fotos estão lindas e seu blog é uma fofura, já estou seguindo aqui! Bjus... =*

    www.lendo1bomlivro.com.br

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