3 de novembro de 2016

Textos parceiros » O agora que virá (Clara Andrade)

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Na  noite quente, a brisa é um presente e enquanto ela toca minha pele, meus pensamentos vão para longe. Viajam no espaço e no tempo, vou para outros lugares e em outros momentos. Momentos que ainda não aconteceram... Como é gostoso e ao mesmo tempo doloroso imaginar o "futuro"! Aqui me refiro ao futuro como o agora que virá e isso inevitavelmente está repleto de desejos, vontades, anseios e receios.

Como curioso e medonho seria se pudéssemos ter apenas um vislumbre desse agora que ainda está para chegar! Mas tudo é constante e inconstante, de forma que tudo muda enquanto eu falo. Tudo isso causa uma sensação de incerteza e talvez de insegurança. Se tudo oscila, que garantia temos que alcançaremos aqueles sonhados objetivos? E mais: e quando esses objetivos dependem de outros fatores e até mesmo de outras pessoas? A nossa liberdade termina onde começa a liberdade alheia (ou ao menos em teoria porque sabemos que na realidade nem sempre é assim).

E então deixo de pensar no futuro e me pego pensando em todas as implicações para a realização ou a não realização de meus objetivos. Apesar de pregarmos a individualidade e autonomia, somos seres dependentes e completamente interligados uns aos outros. Que responsabilidade tem o outro na concretização de meus desejos? Reformulando: que responsabilidade atribuo ao outro para realização de meus desejos?

(...)

Paralelamente a tudo isso, há pessoas que acreditam que existem forças, que não compreendemos totalmente, e que de alguma forma regem as coisas e dá ordem ao aparente caos de possibilidades que se apresentam diante de nós. Para essas pessoas ainda há a possibilidade de acreditar que apesar de toda essa incerteza, há uma razão por trás de tudo isso. "O que tiver que ser, será!" E nisso encontram um alívio momentâneo ao tormento de imaginar que somos uma mosca em uma teia. Que cada fio está ligado a outros 5 fios, que estão ligados a outros 25 fios e assim sucessivamente... Que teia pegajosa! É difícil lutar e sair do lugar, é mais fácil se render ao cômodo. E além do desafio de sair do lugar, encontramos o desafio da escolha a todo momento. Estamos condenados a escolher. Ao escolher, nos deparamos com milhares de opções, sem saber ao certo as implicações de todas elas. É como lançar os dados e torcer para sair um sete!

Mas não se desespere! Essas dúvidas não extinguiram nossa espécie, portanto considera-se que é possível conviver com elas e mais: é impossível viver sem elas.

Enquanto penso, enquanto duvido, vivo.

Enquanto vivo, construo e transformo a realidade em que vivo, na mesma medida em que ela me transforma. E sigo, na esperança (expectativa) de que minhas escolhas me guiarão pelo caminho que supostamente acredito ser o melhor para mim.

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