8 de outubro de 2016

Textos parceiros » Outra carta (Clara Andrade)

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16 de setembro de 2016, Belo Horizonte.

Olá,

Sei que não esperava mais cartas minhas, na verdade eu também não esperava por isso, mas aqui estou, escrevendo mais uma das inúmeras cartas que já lhe escrevi.

Meu objetivo não é lhe aborrecer e se isso de alguma forma acontece, peço desculpas pelo infortúnio, não é a minha intenção. Por que lhe escrevo então? Sinto saudade? Não creio que seja isso. Apenas tive vontade e se essa súbita vontade tinha a ver com algum desejo inconsciente, não sei, Freud que me desculpe.

Inconsciente à parte (já que esse não é o objetivo aqui) escrevo para ter notícias suas, eu acho. Você aparenta estar bem, sempre sorridente, mas ainda assim, algo em meu íntimo aponta para um detalhe em seu olhar rochoso. Um detalhe que qualquer outra pessoa deixaria passar despercebido. Ao que esse detalhe se refere exatamente apenas você pode me dizer, mas sei que foi o suficiente para me deixar com a pulga atrás da orelha.

Quanto a mim, tirando o que está ruim, está tudo bem. Surpreendentemente o sol continua aí, fazendo seu trabalho, as pessoas continuam indo e vindo, as músicas continuam as mesmas, as amizades nem tanto, mas o que mais mudou fui eu. Acho que algum mecanismo lá dentro mudou a configuração e o funcionamento de uma série de coisas em mim. Percebi que existem várias versões, vários “eus” e eu sou todas essas versões. Antes eu estava só, mesmo junto. Hoje aprendi a estar junto, mesmo só e isso é uma dádiva!

Não sei se deveria lhe escrever ou ao mesmo esperar algum retorno da sua parte, mas a empatia que existe em mim parece ser maior que a antipatia que existe nos outros. De qualquer forma estou aqui. Não vou dizer que estou aqui para o que você precisar. Já estive, não estou mais, mas ainda assim aqui estou.

Confuso? Nem todas pessoas são tão claras como gostaríamos, ainda bem! Já pensou se todos fôssemos sinceros em todas as situações?

Enfim, para não prolongar mais uma carta que provavelmente não terá resposta, finalizo por aqui. O que quis dizer com tudo isso? Que eu mudei, que você mudou, que eu estou aqui e você está aí. Talvez tenha dito mais, talvez menos do que gostaria, mas isso cabe a você decidir.

Amigavelmente,

Eu.

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