13 de novembro de 2015

Listas » 10 músicas com inspirações livrônicas


Literatura, música, pintura, cinema, fotografia... às vezes fica até difícil escolher qual forma de arte é a nossa preferida e qual toca mais profundamente nossas emoções. Se separadas elas já são incríveis, imagine só quando se unem? A magia do sentimento, as inspirações do artista, as descobertas, tudo pode ser sentido em dobro! Um bom exemplo disso é a união entre música e literatura; acredite, há mais músicas inspiradas em livros do que você imagina! Os livros não influenciam diretamente só nós, humildes leitores, mas também fazem a cabeça de muitos gigantes da música. E é isso que vamos descobrir juntos no post de hoje.

O número de músicas que tiveram alguma inspiração total ou parcial em livros é muito grande! Mesmo assim, quando estamos ouvindo alguma canção ou observando uma tradução muitas vezes não nos damos conta de imediato da história que aquela criação pode ter por trás de cada verso, mas basta uma rápida pesquisa para descobrirmos que o mundo da música e da literatura estão mais interligados do que imaginamos. Selecionei as 10 músicas livrônicas que mais gosto e que são de artistas que retiraram inspiração de livros famosos.





Wuthering Heights
Kate Bush

A lista começa com uma música que eu particularmente amo de paixão. Lembro que a ouvi pela primeira vez quando era criança, e desde a primeira vez, senti arrepios. Bem, o jeito Kate Bush de ser provavelmente contribuiu muito para isso, mas após crescer um pouco e compreender o sentimento que a letra trazia consigo, pude entender porque realmente aquela música mexia tanto com minhas emoções. Wuthering Heights é inspirada no livro O Morro dos Ventos Uivantes, escrito por Emily Brontë, lançado em 1847 e que retrata o amor impossível e desesperado de Cathy e Heathcliff.

Lá fora nas tempestuosas colinas
Nós girávamos e caíamos no gramado
Seu temperamento era como meu ciúme
Ardente e ávido demais
Como você pôde me abandonar
Quando eu mais precisei te possuir?
Eu te odiei, eu te amei também

Heathcliff, sou eu, Cathy, eu voltei para casa!
Sinto tanto frio, deixe-me entrar pela sua janela...





1984
David Bowie

Nesse caso específico, não estamos falando apenas de uma música, mas de um trabalho inteiro. Bowie planejou todo o seu álbum "Diamond Dogs" baseado no livro 1984, escrito por George Orwell e lançado em 1949. A obra retrata uma época em que todos eram vigiados pelo Big Brother (não, não o programa de televisão) e os sentimentos eram proibidos. As letras de Bowie foram fortemente influenciadas pela decadência de 1984, e ainda há músicas que fazem referências diretas à obra, como as faixas "1984" e "Big Brother".

Algum dia eles não te deixarão
Você deve concordar
Os tempos não são convincentes
E a mudança não é livre
Você já deve ter lido isso nas folhas de chá
E as faixas estão na TV

Cuidado com a lei selvagem
De 1984





Animals
Pink Floyd

Novamente estamos aqui com uma obra completa que fora influenciada por Orwell. O disco Animals do Pink Floyd foi baseado na obra Revolução dos Bichos, escrita por George Orwell em 1945 e que retrata bem a condição de animalidade em que a nossa sociedade se inseriu. Assim como no livro, animais ganham características e sentimentos humanos e pouco a pouco explicam um contexto social cada vez mais próximo do nosso. Porcos que se autodenominam superiores, cães absolutos e ovelhas submissas... uma metáfora que nunca fez tanto sentido.

Você já ouviu as notícias?
Os cães estão mortos!
É melhor você ficar em casa
E fazer o que lhe mandaram
Caia fora da estrada se quiser continuar vivo





Don't Stand So Close to Me
The Police

"Não fique tão perto de mim" define bem o pensamento de uma pessoa que quer repelir outra, certo? E é ainda mais significativo se essa pessoa for um professor que está lutando contra as tentações de se apaixonar por uma aluna muito mais nova do que ele... e aí, esse enredo te lembrou de alguma história? É claro que estamos falando de Lolita, livro escrito por Vladimir Nabokov em 1955 e que retrata a história de um professor de meia idade que se vê seduzido por Dolores, ou Lolita, uma garota de 12 anos de idade. É claro que a história se tornou um grande escândalo e foi rejeitada por inúmeras editoras antes de ser efetivamente publicada... mas hoje encontra-se imortalizada não só nos livros, mas também através das ondas sonoras, como nessa música da banda The Police:

Professor jovem, o assunto das fantasias das colegiais
Ela o quer tanto, sabe o que ela quer ser
Dentro dela há desejo
Esta garota é uma página aberta com marcador
Ela está tão perto agora
Esta garota tem metade da idade dele

Exatamente como o velho
naquele livro do Nabokov





Killing An Arab
The Cure

The Cure é uma das bandas mais incríveis do mundo, e é bom saber que também faz parte dessa leva de artistas que colocaram um pouquinho da magia dos livros em suas músicas. A canção teve forte influência do romance O Estrageiro, escrito por Albert Camus em 1942. Fazendo referência direta ao assassinato do livro, é uma das grandes canções consagradas da banda.

Eu estou vivo
Eu estou morto
Eu sou um estrangeiro
Matando um árabe





The Hurting
Tears for Fears

Tears for Fears é uma banda lendária que possui muita influência da psicologia em suas letras, principalmente no início de sua carreira. Os versos expressam extrema sensibilidade e exemplificam bem a problemática do ser humano e o confronto de si mesmo com suas emoções mais íntimas. Assim como já ocorreu com outras bandas, dessa vez também temos aqui todo um álbum que fora influenciado por uma obra literária. Estamos falando do livro O Grito Primal, escrito em 1974 pelo psicanalista Arthur Janov. As canções são baseadas na terapia homônima estudada no livro em que é discutida a ideia de que os traumas humanos são criados a partir do nascimento de uma pessoa, portanto é necessária uma intervenção psicológica relembrando todo o ato do nascimento e a importância de reviver e confrontar as emoções mais dolorosas que vivem dentro do paciente, para serem finalmente expulsas com um grande grito quando essas emoções chegassem em seu ápice durante o tratamento. Todas as letras do álbum são baseadas na ideia do confronto com as próprias emoções e enfrentamento de suas maiores mágoas.

No meu interior
Você é capaz de aliviar meu fardo?
Você é capaz de ver minha dor?
Você é capaz de me explicar a mágoa?

Concentre-se nas coisas que você conhece
Sinta a dor, sinta a tristeza
Toque a mágoa e não a deixe ir
Aprenda a chorar, como um bebê
Aí então a mágoa não voltará





To Tame a Land
Iron Maiden

Iron Maiden definitivamente é a banda mais literária que eu conheço! São inúmeras referência à inúmeras obras, mas resolvi destacar a música em questão pois é uma das que eu mais gosto, tanto falando em questão da canção em si quanto ao livro que ela remete. Estamos falando da obra Duna, primorosa ficção científica escrita em 1965 por Frank Herbert. Mais uma vez se tratando de uma visão futurística, o cenário descreve um Império intergaláctico em que a humanidade é completamente dependente de eventos e elementos exteriores (inclusive de substâncias) e descreve suas dramáticas relações entre si e o ambiente ao seu redor.

Ele é o rei de toda terra
No reino das areias
Ele reina sobre tudo
Em uma terra chamada planeta Duna
A água de seu corpo é a sua vida
E sem ela você iria morrer
No deserto, o planeta Duna





Pet Sematary
Iron Maiden

Esse é um lindo caso de amor entre Ramones e Stephen King. O próprio autor já assumiu ser muito fã da banda e fez várias referências da mesma no livro que inspirou a canção, que foi um grande sucesso mundial. O Cemitério, seguindo a tradução brasileira, foi escrito em 1983 pelo mestre do terror e contava a história de uma família que se mudou para uma casa localizada próximo a um cemitério de animais em que era possível realizar rituais para fazê-los retornar à vida - mas não exatamente como antes. A canção faz parte da trilha sonora da versão cinematográfica do livro, que levou o nome de Cemitério Maldito e foi lançada em 1989.

O cheiro da morte está em volta
E pela noite, enquanto o frio vento sopra
Ninguém se importa, ninguém sabe
Eu não quero ser enterrado num cemitério de animais
Não quero viver minha vida outra vez





Monte Castelo
Legião Urbana

Para as duas últimas canções, reservei um espaço para dois nomes do cenário nacional que gosto muito. Primeiramente, Legião Urbana e seu deslumbrante trabalho de intertextualidade que fez referência não à dois livros, mas a dois trechos sábios: em um, foi usado um poema de Luís de Camões e em outro, uma passagem bíblica (1 Coríntios 13:1). Tudo isso para definir da maneira mais doce possível o que era o amor.

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
O amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina ser doer





Gita
Raul Seixas

Essa música é sensacional e me passa uma vibração muito positiva. E eu, como boa amante do misticismo que sou, não poderia finalizar a lista com outra canção... Gita é composta por Raul Seixas e Paulo Coelho, e é baseada no Bhagavad Gita, que são escrituras sagradas do hinduísmo e um registro extremamente importante da literatura indiana. A canção tem o foco no trecho em que o guerreiro Arjuna se encontra com Krishna e lhe questiona a respeito da sua beleza, e este responde: "Eu sou a Essência Espiritual que habita nas profundezas da alma e no íntimo de cada criatura - o princípio, meio e fim de todas as coisas; a sua origem, a sua existência, o seu termo final."

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou

Eu sou o início, o meio, o fim!

Bem, essas são as minhas canções livrônicas preferidas! E você, quais são as suas?
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