10 de outubro de 2015

Artigo » A polêmica sobre os livros de Autoajuda


Resolvi escrever esse texto com minha opinião a respeito dos livros de autoajuda após uma discussão que tive na faculdade, na qual muitos alunos (inclusive minha própria professora de Estudos Literários e Sociedade) eram contra o gênero e manifestavam a crença de que eram obras "ruins", "sem conteúdo" e "sem aplicação na sociedade". Apesar de ser mais um desabafo do que qualquer coisa, escreverei esse texto sem esperanças de que meus colegas de curso - muito menos minha professora - leiam, mas sim, com a esperança de que ele seja compreendido por pessoas de mente livre e coração aberto. Pois sim, literatura também é coração. É errado julgar como literatura apenas aquilo que a escola ensina. É errado julgar como literatura aquilo que tem métrica, que tem rima, ou que já ganhou um prêmio Jabuti. É errado julgar literatura como Machado de Assis. Literatura é tão mais do que isso - e sinto verdadeira compaixão por pessoas que não conseguem ir além dessa visão tão arcaica e restrita a respeito da verdadeira essência da ciência das letras.


Me vejo no direito de falar sobre o tema com propriedade pois durante minha última experiência como livreira, fui responsável pela seção de Autoajuda, Religião e Esoterismo da livraria durante 1 ano, e nesse tempo, eu ouvi histórias que nem em uma vida inteira conseguiria resumir para vocês. Eu recebia diariamente pessoas com pensamentos suicidas, pessoas depressivas, pessoas que perderam entes queridos, que recorriam com olhos inchados cobertos por lágrimas e um coração cheio de esperança ao coitado do livreiro - criatura tão inocente, que por ora parecia ser pago para atuar como psicólogo. Na verdade eu acho que está aí mesmo o barato dessa encantadora profissão de vendedor de livros... você tem a chance de mudar vidas e recolocar sorrisos nos lábios dos outros, todos os dias. Junto com essas pessoas, eu aprendi mais sobre a vida do poderia imaginar... e isso não aconteceria se os benditos livros de autoajuda não fizessem essa ponte entre nós. Com isso estou falando que todos os livros de autoajuda são fórmulas mágicas ou obras maravilhosas? Logicamente que não. Há livros de autoajuda tão podres como alguns de "literatura comum" que tive o desprazer de conhecer em minha jornada literária. Mas não é assim com tudo nessa vida? Você só precisa conhecer o que se dispõe a falar. Livro de autoajuda não é só aquilo que dondocas leem quando estão sem nada para fazer ou que ex-BBB's escrevem para estimular mulheres a serem "corajosas e poderosas". Há livros BRILHANTES de autoajuda no mercado, de médicos, psicólogos, palestrantes e estudiosos da mente renomados pelas vidas que já ajudaram a literalmente, resgatar do abismo. Pessoas que passaram uma vida inteira dedicando-se à estudar temas humanos e emocionais que algumas pessoas consideram "sem conteúdo" e "sem valor intelectual". Se a literatura ficcional escreve histórias imaginárias, a autoajuda também escreve as histórias de todos nós, seres humanos. E francamente, eu não consigo acreditar que a leitura de Dom Casmurro aliviaria tanto o coração dessas pessoas desesperadas. De quem é a literatura "sem aplicação na sociedade" agora? Tudo é questão de ponto de vista, tudo é relativo e nenhuma verdade é absoluta. E no fundo lamento não ter conseguido aprender isso na faculdade, mas quer saber? Não poderia esperar algo diferente mesmo. Às vezes, é de sentimento que você precisa. É de uma palavra amiga de um amigo que muitas vezes, você não tem. É de uma simples frase que com sorte irá ecoar na sua mente como um sino e te fará enxergar todas as coisas que antes você não conseguia ver. E isso, você não aprende em sala de aula. Você aprende com a vida.

Ser um bom leitor não é saber todos os sonetos de Camões de cor. Ser um bom leitor é você saber apreciar todas as formas de literatura, é saber visualizar que cada uma tem seu próprio espaço, público e brilho, é estar aberto para conhecer todo o tipo de livro e principalmente, desprover a mente de julgamentos. Se você não consegue fazer isso, você não é um bom leitor, mas sim um pseudo-intelectual, de alma pequena e argumentos pobres. Você não precisa gostar de todos os gêneros que lê, de forma alguma. Você só precisa respeitar o outro que pensa diferente de você, sem subjulgá-lo inferior por isso.

Que me desculpem meus colegas, minha professora e até mesmo Machado de Assis. Que me desculpe até você, se ao fim desse texto ainda considera a autoajuda como uma literatura ruim. Mas pra mim, literatura não é somente aquilo que foi escrito com as mãos do corpo físico... mas principalmente aquilo que soou na voz da alma. Há vários modos de fazer isso, e felizes são aqueles que conseguem sentir essa brisa de conhecimento em cada movimento que as letras realizem... que me desculpem todos, mas eu prefiro ser considerada uma leitora de conteúdo ruim se isso trouxer algum alívio à mim ou algum semelhante meu, do que ser uma leitora brilhante conhecedora de todos os romances russos e poesias britânicas, ganhando reconhecimento, mas perdendo meu coração em meio à minha própria arrogância literária.

Vida longa à literatura - em todas as belezas que ela possa ter.


Quer conhecer um pouco mais sobre a verdadeira essência da autoajuda? Separei meus três autores preferidos e suas obras-primas para vocês darem uma olhada. ♥



Amante das letras, futura bacharel em tradução,
e apaixonada pelo estilo "autoajuda" de ser.

Minha missão é ajudar pessoas.

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