19 de outubro de 2015

Resenha » O Diário de Helga (Helga Weiss)


A fascinante história de sobrevivência de uma garota que precisou crescer antes do tempo em meio à Segunda Guerra Mundial. Um relato emocionante sobre até onde o ser humano pode ir em prol de seus próprios interesses, massacrando seus semelhantes e sendo capaz de cometer atrocidades inimagináveis. Esse é O Diário de Helga, um livro que cativa ao mesmo tempo em que faz o coração se sentir pequeno demais para tanta dor e que nos deixa frente a frente com inúmeros questionamentos interiores: somos da espécie suja e perdida na maldade que mata, mas também somos da espécie que morre todos os dias, e renasce das cinzas.



O cenário é o velho conhecido Holocausto, a tragédia que matou mais de seis milhões de judeus e que deixa suas cicatrizes expostas em nossa sociedade até hoje. O livro é um relato honesto e sentimental de Helga Weiss, uma garota judia que se vê obrigada a abandonar sua casa e partir para um campo de concentração com sua família. Enquanto vivia os piores momentos de sua vida, Helga manteve um diário do ano de 1938 até 1945, quando finalmente consegue voltar para casa com sua mãe após o fim da Segunda Guerra Mundial. Bem, "voltar para casa" é uma expressão gentil, uma vez que a própria autora explica que não havia mais "casa" para a qual retornar. Tudo estava perdido, a família estava incompleta e seria necessário começar uma nova vida do zero. Helga precisaria provar pela segunda vez o quanto estava disposta a viver. E assim, brilhantemente, ela o fez mais uma vez.



❝ O acabamento da obra


Eu ganhei um kit desse livro da editora Intrínseca na última livraria que trabalhei, que é a coisa mais linda do mundo. Veio numa sacolinha de pano amarradinha, com etiqueta e com uns postais em papel cartão de alguns desenhos da Helga. Um amor! O livro em si é muito bonito, com medidas 14x21 e folhas amarelas e grossinhas. Há também várias páginas em papel fotográfico, sendo três páginas com fotos de Helga e sua família e mais cinco páginas com fotos dos desenhos que Helga fazia enquanto estava nos campos de concentração, o que torna a leitura muito mais interativa e facilita o processo imaginativo para compreender (pelo menos um pouquinho) os momentos que a nossa protagonista tenha passado. As letras são grandes também, o que faz a leitura ser bem fluida e fácil. Há também vários "bônus" ao final do livro, como uma entrevista com Helga Weiss e um pequeno dicionário de alemão.




❝ Por que você deve ler


Além de ser um documento histórico interessantíssimo para compreender melhor a situação dos judeus na Segunda Guerra Mundial, o livro é um relato emocionante da vida vista pelos olhos de uma criança/adolescente que precisou crescer antes do tempo. Não há como não se emocionar com tamanho sentimento que nos é passado através das palavras de Helga, assim como também é impossível não se colocar em seu lugar e imaginar como teria sido se nós mesmos tivéssemos passado por aquilo. É uma leitura que realmente mexe com você e com o seu modo de pensar a respeito com o mundo. Quando temos conhecimento de uma tragédia tão grande como essa, creio que não conseguímos sentí-la inteiramente apenas com relatos históricos ou documentários da BBC. É completamente diferente conhecer a história através das humildes palavras de alguém que simplesmente vivenciou tudo aquilo. É como se dentro de nós, algo despertasse e nos dissesse: "caramba... então é verdade; essa atrocidade aconteceu de verdade". É surreal.




❝ Preste atenção!


Não se deixe envolver em comparações com outros livros do gênero, como por exemplo O Diário de Anne Frank. Francamente, são dois livros com a mesma temática, mas diferentes na forma em que são desenvolvidos. Em O Diário de Anne Frank, as coisas acontecem de forma mais lenta, e a vida pessoal da protagonista em si é retratada com mais detalhes. Anne em si é mais detalhista em sua escrita e mais fiel à frequência de escrita também (um dos motivos do seu livro ser maior do que o de Helga). Com Helga, as coisas são mais ágeis e a escrita é mais corrida, mas isso não é um ponto desfavorável, pelo contrário; gostei mais das coisas fluindo dessa maneira. Quando li Anne Frank, achei algumas partes um pouco cansativas ou "desnecessárias", o que não aconteceu com Helga, onde não tive essa sensação em nenhum momento. São duas obras maravilhosas e distintas entre si, ambas merecendo destaque e possuindo seu valor próprio.




❝ Meu toque pessoal


O livro em si é de um exímio cuidado. Tudo foi pensado para o leitor sentir-se presente na história como se estivesse vivenciado-a ao lado de Helga. As páginas possuem uma delicadeza muito grande, mesmo tratando de um tema tão cruel. A única coisa que posso dizer que me incomodou um pouco foi que as notas do livro acabaram ficando todas no final da obra, e como elas eram muitas, ficou um pouco chato de acompanhar alguma sempre tendo que procurar o significado no livro. Eu digo isso pois gosto bastante de notas, acho que por isso fiquei mais incomodada... eu prefiro quando elas ficam no rodapé do livro, bastando apenas abaixar o olhar para buscar um significado; mas de qualquer forma, para uma pessoa que não faz muita questão e gosta de seguir a leitura sem interrupções acho que é um fato que não fará tanta diferença. O que importa mesmo é a mensagem, e esta foi passada com maestria. Certamente essa é uma obra marcante, que ficará na mente e no coração do leitor por muito, mas muito tempo!




❝ Curiosidade

Você sabia que existem muitos outros diários escritos na época do Holocausto circulando por aí? Helga afirma que essa era uma prática comum dos prisioneiros para passar o tempo, arejar a mente e manter registros escritos de tudo o que passavam. É claro que nem todos os diários conseguiram sobreviver, mas se fizermos uma pesquisa, certamente encontraremos muitos outros relatos emocionantes de companheiros de Helga que assim como ela, lutaram até o último instante para sobreviver.




❝ Considerações finais


Uma obra emocionante que tocará o coração de quem se atrever à lê-la. Um relato destemido sobre uma das épocas mais temidas da humanidade e a prova de que o amor pela vida está além que tudo e todos. Viver requer coragem... e essa coragem, é para poucos.

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