31 de outubro de 2015

Livro ou filme? » Psicose


Senhoras e senhores! Nosso duelo de hoje é entre dois gigantes do cinema/literatura que representam muito para a nossa cultura. Estamos falando das duas versões da obra Psicose, clássico do terror norte-americano que já tirou o sono de muita gente. Mas qual será o mais interessante: filme ou livro? É o que iremos analisar hoje - sem spoilers!


Falar desses dois clássicos não é fácil; ambos atingiram grande sucesso e são muito influentes na nossa sociedade. Mas certamente há alguns pontos que podemos destacar das duas versões que nos ajudam a formar uma edição preferida. O conceito de "melhor" é muito relativo, pois há vários ângulos de ver uma mesma cena, portantoavaliar a melhor versão não é o nosso objetivo principal; o que vamos destacar aqui são os pontos fortes e fracos de ambos não para chegarmos à obra perfeita, mas sim aquela que mais se adapta ao nosso estilo e gosto... e no final, apresento um veredicto pessoal com a minha opinião. Mas também quero ouvir você! Por isso, estou aguardando seu comentário a respeito desse grande filme/livro que até mexe com os nervos de muita gente!




❝ O enredo da história

Mary Crane é uma secretária que está em fuga. Após roubar uma grande quantia em dinheiro que seu chefe a confiara para fazer um depósito no banco, a moça se empenhara em fugir para longe até que seu crime fosse descoberto. Horas e horas na estrada a deixam cansada, e ela resolve parar em Fairvale para descansar e avista um hotel, que de tão escondido até parecia que fora esquecido de propósito num desvio da autoestrada: o Bates Motel. Resolve entrar e lá é recebida por Norman Bates, rapaz simpático e tímido que fundou o hotel junto com sua mãe. Hoje, a Mãe mora em uma casa colina acima do hotel e está intensamente presente na vida do pobre homem, controlando cada passo que ele dá. Bates esconde uma personalidade amedrontada e completamente submissa à mãe, com um passado perturbador. A relação entre os dois é quase doentia, uma vez que a voz da mulher está sempre ecoando pela cabeça de Norman, o lembrando de tudo o que ele gostaria de esquecer...


Por sua vez, longe dali, os dias passam e Mary não retorna para casa. Sua irmã começa a ficar desesperada e se une ao investigador Arbogast e Sam, amante de Mary, para procurá-la e tentar encontrar pistas que até parecem não existir. Mas como nada é perfeito, as peças do quebra-cabeças começam a se encaixar, e um mistério muito maior começa a ser revelado - e é muito mais macabro do que eles poderiam imaginar.




❝ Visão geral

Nada mais justo do que iniciar nossa análise falando de quem veio primeiro: o livro. Lançado originalmente em 1959 por Robert Bloch, foi inspirado num personagem real, o assassino Ed Gein, que possuía uma mente tão doentia quanto à de Norman Bates, assim como também era dominado pela mãe e foi responsável por inúmeras atrocidades. Causou grande revolução na literatura, principalmente para os admiradores do Terror. O livro ficou esgotado e sem uma nova edição brasileira por 50 anos, até que para nossa alegria em 2013 foi finalmente relançado pela editora Darkside (tinha que ser ela ♥) em edição brochura e também numa edição limitada de luxo, com capa dura - ambas impecáveis.


No ano seguinte, foi lançado o filme. Quando o diretor Alfred Hitchcock leu pela primeira vez a obra (isso há 56 anos), ficou tão deslumbrado com a história que comprou todos os 3 mil exemplares disponíveis do livro e os trancafiou em um galpão próximo da sua casa! Tudo isso para as pessoas não ficarem sabendo do final surpreendente da história e ele pudesse tranquilamente iniciar seus planos de criar um novo filme baseado no livro. Protagonizado por Anthony Perkins e Janet Leigh, o filme em preto e branco custou 800 mil dólares e faturou 60 milhões nas bilheterias do mundo todo. Mais três sequências foram lançadas, mas nenhuma atingiu o estrondoso sucesso alcançado pelo primeiro filme da franquia.




❝ Fidelidade da adaptação

Um grande temor dos fãs de histórias que são adaptadas para os cinemas é a respeito da fidelidade dessa adaptação: o que será mudado, quais falas serão omitidas e o que será adicionado. No caso de Psicose podemos dizer que o filme foi bastante fiel ao reproduzir o conteúdo do livro, mas ainda assim algumas coisas foram levemente alteradas. Um exemplo disso é o nome da protagonista, que nos filmes é Mary Crane e nos cinemas é conhecida por Marion Crane. O mesmo se dá com a descrição feita do personagem de Norman Bates, que no filme é descrito como alguém não tão jovem e gordo, o que não acontece na versão cinematográfica, uma vez que a figura de Norman é retratada com um ator jovem, magro e até mesmo um pouco atraente, apesar de seus modos retraídos. Com exceção desses pequenos detalhes irrelevantes para uma boa apreciação do filme, acho a versão cinematográfica brilhante, e digna de todo o sucesso que alcançou. Início, meio e fim conseguiram se unir numa só essência e transmitir de maneira eficaz a ideia principal do livro, o que atualmente é relativamente raro de acontecer; nem sempre uma adaptação para as telinhas consegue ser fiel à ideia central do livro, mas certamente não foi o que aconteceu nesse caso. O livro possui a vantagem de conseguir passar uma riqueza maior de detalhes, mas se formos observar a adaptação como um todo, realmente foi um trabalho muito bem executado.




❝ A emoção


Aproveitando que mencionamos no tópico anterior a riqueza de detalhes, falaremos agora sobre como as emoções são passadas em cada versão. Se fossemos escolher uma versão que definisse melhor as emoções dos personagens e as impressões que os fatos causam no leitor/telespectador, certamente ficaríamos com o livro! De certa forma podemos dizer que isso acontece com a maioria das obras adaptadas, mas especialmente em Psicose o livro é essencial para formar todo o suspense e o mistério dentro da cabeça do leitor. Enquanto lemos, conseguimos sentir exatamente o que o personagem está pensando justamente pela riqueza de detalhes e a forma como os pensamentos são dispostos nas linhas. As descrições são ricamente exploradas, o que auxilia esse processo. Eu adoro o jeito como os pensamentos de Norman ecoam intensamente o tempo todo,  quase como uma voz fantasmagórica, coisa que não está presente no filme. E o mesmo acontece também quando a Mãe conversa com ele, em diálogos fortes e provocativos, o que é determinante para nos envolvermos naquela atmosfera submissa. Você acaba de fato incorporando os devaneios do personagem, e aos poucos acaba sofrendo ou se atormentando junto com ele. Em resumo, o livro desempenha melhor a função de criar essa atmosfera de suspense, que certamente sempre foi o objetivo de Robert desde o início. Ou você realmente acha que Hitchcock compraria 3 mil exemplares de um livro que não fosse assim, simplesmente fantástico? rs




❝ O reconhecimento


Em questão de reconhecimento, certamente devemos entregar o troféu para o filme - principalmente no cenário brasileiro. Talvez pelo livro ter ficado tanto tempo esgotado em nosso país, isso tenha dificultado o acesso à ele por parte de outras pessoas (principalmente os jovens), tanto que muitas pessoas até hoje nem mesmo sabem que o filme Psicose originou-se de um livro! Eu mesma só fui saber que Psicose nasceu primeiro como um livro quando a Darkside fez o lançamento da nova versão em 2013; antes disso, eu nem sequer imaginava. O acesso ao filme foi infinitamente maior desde o seu lançamento, e isso contribuiu para maior divulgação da versão cinematográfica.
Outro fato que garante o prêmio da vez para o filme é a clássica cena do chuveiro com aquela trilha sonora macabra que deixa a gente todo arrepiado, é que é conhecida até pelas pessoas que nunca assistiram o filme completo. Ela ilustra bem o quanto o filme possui influência na mídia e na nossa cultura pop, pois é amplamente lembrado até mesmo pelas pessoas que nunca assistiram o filme completo. É, a disputa chega a ser desleal!




❝ Conclusão

Na minha opinião, o livro venceu a disputa pela sua riqueza de detalhes, expressão clara das emoções e momentos que o filme não conseguiu reproduzir em sua totalidade. Muitos filmes se originam de livros, mas eu não conheço muitos que tenham motivado o diretor a comprar todos os exemplares existentes do mesmo só para as pessoas não saberem do final! Hitchcock já sabia que aquela não era uma história como as outras e aquela forma de escrever também não era comum. Aquele era um livro especial. Continua sendo. E graças aos Deuses hoje já está disponível para nós novamente, após 50 longos anos, pronta para ser apreciado em qualquer momento!


Uma grande obra, um grande filme, dois grandes clássicos! Ambos são incríveis e assustadores e merecem algumas horinhas de nosso tempo para conhecermos bem cada um. Se você ainda não leu, compre já o seu! E se você ainda não viu o filme, mãos - ou melhor - olhos à obra!

E você, qual é o seu preferido? Também gosta mais do livro ou prefere o filme? Comente o que você acha e ajude a manter vivo um dos maiores clássicos mundiais de todos os tempos: Psicose!

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